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Baile Místico reacende histórias e fantasias em torno da Praça XV

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 O REBATISMO DA ILHA

BAILE MÍSTICO REACENDE HISTÓRIAS

E FANTASIAS EM TORNO DA PRAÇA XV

 

A Ilha vai poder respirar a sua cultura na próxima sexta-feira, 4, quando bruxas, boitatá, bernunça e outras figuras folclóricas serão os principais personagens do Baile Místico, na Praça XV, no ritmo descontraído das bandas Amor à arte e Cores de Aidê e da harmonia e ternura dos bonecos do Berbigão do Boca. O cenário inspira o rebatismo da Ilha, com suas histórias e riquezas culturais, como as pinturas que brilham em paredes de edifícios, lembrando duas figuras exponenciais da nossa história: o poeta Cruz e Sousa e a professora e primeira deputada estadual Antonieta de Barros. A aragem  cultural do centro, onde a prefeitura investe na revitalização de patrimônios, concentra casarões, palácios, catedral, mercado público, casa da Alfândega. A sinergia da cultura e de um rico passado flora no centro histórico, como se Floripa anunciasse a sua própria redescoberta.

        O entusiasmo com a revitalização cultural da cidade contagiou órgãos, professores, agentes culturais, empresários, universidades. “Imagine termos um verão com a nossa cultura acesa em toda a cidade, balneários, teatros...” projeta a jornalista Isabel Orofino, que integra o grupo responsável pela realização do Baile Místico.

          “Sim, claro, é o ponta pé inicial. Enquanto lá fora outubro é de Halloween, aqui será o mês das bruxas de Franklin”, aposta Gelci José Coelho, Peninha, um dos principais responsáveis pela preservação das figuras místicas criadas pelo folclorista Franklin Cascaes. Ele acredita que o Baile Místico será a grande referência para banhar Floripa com as águas de uma cultura riquíssima.

         PROGRAMA QUE ENCANTA

         Se o verão dos anos 60 e 70 foi marcado pelo carnaval característico da Ilha, com blocos e foliões girando em torno da Praça XV, outubro de 2019 tende a revitalizar a força da musicalidade e do misticismo da Ilha. O Cortejo Baile Místico vai seguir as mesmas pisadas carnavalescas, com o Berbigão do Boca, um dos mais expressivos blocos de Floripa, puxando o cordão em torno da praça e em ruas do centro.

         Mas a programação inicia-se às 12 horas do dia 4 com a abertura da Feira de Artes, Artesanato e Gastronomia, no Pátio da Antonieta, onde as pessoas, de copo na mão, poderão realizar experimentos, além de apreciar e adquirir obras artesanais, que coloca Floripa entre os principais centros de criatividade artística do país. Às 13h30m, no Museu da Escola de Santa Catarina, na rua Saldanha Marinho, inicia-se uma discussão, aberta ao público, intitulada “Berro por Desterro”. E de lá sairão os “Fantasmas de Anhatomirim”, para lembrar os 125 anos da brutalidade praticamente pelo governo de Floriano Peixoto, que mandou o coronel Moreira César à Desterro para eliminar 187 pessoas simpáticas ao movimento federalista. A festa em torno da praça começa às 18 horas, sem horário para acabar.

         POR QUE NÃO?

“Quem sabe esse evento motive a cidade a repensar e “descariocar” o carnaval, disse o empresário Roberto Costa, que em 1986 viabilizou, com a UFSC, o resgate e publicação das antigas músicas carnavalescas da Ilha, em disco e publicação intitulados “150 anos do Carnaval da Ilha”.

A rosa brigou com o jasmin, ficou tão triste, sozinha, quando vieram lhe contar que ele namorou a margarida”, foi um dos sucessos musicais, ao lado de “Canção de Amor à Ilha”.

Roberto sugere uma conexão entre o projeto da prefeitura, de revitalização do eixo cultural da cidade, e o resgate da riqueza histórica. “Está na hora de a Ilha deixar de ser vista pelas suas 100 praias”, desafiou.

         “É muito valioso esse esforço de se discutir e recuperar a sacralidade, do sacro e da mitologia, na dimensão da essência de toda a raiz cultural da cidade”, aplaude o padre Vilson Groh, conhecido pelo seu trabalho de assistência social às pessoas residentes em bolsões de pobreza.

         - Esse trabalho, que começa com Baile Místico, significa a recuperação da saúde da ilha, das pessoas que moram nela; é a expressão do coletivo, contra o individualismo, e ajuda a exorcizar processos da história, como os assassinatos na Ilha de Anhatomirim, salienta o vigário.        

 

 

Informações: Laudelino José  Sardá /Jornalista e Assessor da UNISUL 

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